Addict

Hoje me vi num cenário onde questionei-me sobre o uso da palavra addict e resolvi escrever um post pra liberar tudo isso que tá no meu cérebro.

Hobbies.

Quem é próximo a mim, sabe que faz tempo que não tenho um hoobie diferente de codar.. Tentei pedalar, natação, jiu-jitsu, mas nenhum desses me prendeu tanto como o código me prende, sem falar que por conta dos meus horários serem diferentes da maioria das pessoas (trabalhando à tarde/noite), fica difícil conciliar trabalho com outra coisa que seja diferente de dormir. Eu não tenho o hábito de games, baladinhas (sem a namorada) e pensando agora rapidamente acredito que a única coisa que eu venho fazendo, tipo dando TODO gás é código.

Seria eu um addicted em trabalho?

Entra final de semana, sai final de semana e lá estou eu codando no quarto tarde da noite, quando não saio com minha namorada; até as séries do Netflix que eu acompanhava antes, eu não to tendo o mesmo tesão.. E isso me faz repensar vários aspectos da minha vida, porque eu já venho nesse ritmo “insano” faz um tempo.. Já faz um tempo que não me divirto fora da telinha do computador, e quase sempre que meus amigos me chamam, eu tenho um projeto pra fazer, eu tenho uma feature pra implementar num projeto que eu quero disponibilizar logo logo, terminou que os momentos que eu mais me diverti foram em eventos de dev, saindo com pessoas que eram devs; Que engraçado né!?

Pra piorar a situação, se eu vejo um dev com tempo livre e ele não está estudando ou praticando, eu fico logo afim de xingar ele e a mãe dele; Parece que na minha cabeça, é obrigação de todo dev não perder tempo com outra coisa diferente de código, viva código, respire código, seja código.

Um ser social.

Facebook eu nem gosto mais de perder tempo, instagram então eu mal posto uma foto, twitter hoje é o meu queridinho, tenho uma lista de pessoas influentes da área e sigo o rastro de cada uma, tanto lá como no Github (é claro). Aos poucos parece que todos os hábitos que eu tinha estão se perdendo e se moldando em cima de código..

Ano passado, saiu uma ferramenta que você podia visualizar alguns gráficos sobre a suas contribuições pro Github e as minhas foram bem legais, tive um ritmo interessante, mas o que mais me chamou a atenção foi que os dias em que eu mais submetia código eram: sexta e sábado.

Recentemente eu fui pra um evento no Porto Digital onde foi citado:

É preciso também se dedicar ao aprendizado de seu ofício com uma energia superior à despendida pelos concorrentes. Os cálculos de Gladwell revelam que são necessárias 10 mil horas de prática para numa atividade, seja em artes, esportes, ciências ou negócios.

Era um workshop sobre O Futuro da Gestão (muito bom por sinal), e em um dos momentos foi citado a frase acima que dizia que pra você ser muito bom em alguma coisa você precisa praticar esta coisa por 10 mil horas.

Não me lembro desde quando, mas acredito que desde que eu me entendo de gente, eu me esforço pra ser o melhor em tudo que eu faço.

  • Se for como namorado, eu quero ser o melhor que minha parceira pode ter.
  • Se for como profissional, eu quero ser o melhor profissional que aquela empresa pode ter.
  • Se for como ser humano, eu quero ser o melhor ser humano que o mundo já teve.

Só que nem sempre, tudo são flores.. nem sempre tudo é uma maravilha e nosso objetivo dá certo; É aí que vem a frustração.

Já pensei algumas vezes se eu realmente deveria ser programador, ou se deveria fazer outra coisa da vida, mas 5 minutos depois me dar uma vontade de sair aprendendo tudo que a internet tem pra ensinar sobre nodejs, javascript, ioT, arduíno, nodebots, boas práticas e por aí vai.. E novamente vem a vontade de ser o melhor nisso tudo.

Será?

Mas será que eu deveria focar em ser o melhor? Será que o problema está em mim? Será que o problema está na profissão que eu decidi escolher pro resto da vida? Será que eu preciso de férias?
São tantos será, será, será, será, será, que dá até pra fazer uma música..

Alguns já me falaram que eu preciso ter um escape, que eu preciso liberar um pouco da energia de outra forma, mas eu sempre opto por liberar esse energia com código, criando projetos, desenvolvendo alguma coisa, parece que é um ser maior que me motiva a nunca desistir e sempre continuar, porque eu sei que um dia a minha hora vai chegar.

Enquanto eu escrevia, eu ouvia..